Criar uma criança bilingue no estrangeiro: manter viva a língua de casa
Quase todas as famílias no estrangeiro chegam ao mesmo momento. A criança percebe tudo o que lhe dizem e responde na língua da rua.
Não é sinal de que a língua se perdeu. É sinal de que lhe falta uma razão.
Porque é que acontece
A língua da escola tem várias horas por dia e a companhia de outras crianças. A língua de casa tem um serão e dois pais que, de qualquer forma, percebem a resposta na língua do país.
A criança escolhe o caminho mais fácil, como todos nós. É uma conta, não uma rejeição.
A constância vale mais do que a quantidade
O mais útil que um pai ou uma mãe pode fazer é continuar a falar com a criança sempre na mesma língua, seja qual for a língua da resposta. Não como uma regra imposta, mas como um hábito que não muda.
Interromper uma conversa por causa da língua tem o efeito contrário. Deixe a conversa fluir, com um dos lados na língua de casa.
Dê à língua conteúdos de que a criança gosta
Uma língua que só existe em correções e lembretes torna-se a língua da obrigação. Uma língua que guarda a história, a canção e a piada preferidas torna-se a língua da diversão.
Por isso vale a pena que as histórias, os desenhos animados e os livros de que a criança gosta estejam na língua de casa, e não só a conversa à mesa.
As pessoas são a razão mais forte
Uma avó que não fala a língua do país vale mais do que qualquer app. Uma criança que precisa de ser compreendida encontra as palavras.
Uma videochamada por semana, um verão com a família e amigos da mesma idade fazem o que a conversa em casa não consegue.
Quando chega uma terceira língua
Muitas crianças no estrangeiro aprendem também inglês na escola. Isso não prejudica a língua de casa nem a atrasa.
Ajuda que a criança saiba claramente que língua pertence a quem, porque assim escolhe entre sistemas em vez de os misturar.
Na Kiara, a língua materna e a língua a aprender escolhem-se separadamente, e o jogo da memória mostra cada par nas duas.