Como uma criança aprende uma segunda língua através de histórias
As crianças não aprendem uma língua a aprender palavras. Aprendem-na a perceber uma história onde essas palavras vivem.
É isso que um livro ilustrado faz e uma lista de palavras não consegue: dá às palavras uma razão para existir.
Porque é que uma história fica e uma lista não
Quando uma criança ouve a palavra «ursinho» no momento em que o ursinho cai da mochila e fica no banco, a palavra chega com uma imagem, um pouco de suspense e uma consequência. Uma memória assim dura dias.
A mesma palavra, a décima de uma lista de vinte, dura até ao fim da lista. Não tem a que se agarrar.
A repetição que a criança pede
Uma criança de três anos pede a mesma história dez noites seguidas. Não é falta de imaginação, é um método. Em cada leitura o enredo exige menos atenção e sobra mais para a língua.
Por isso é melhor deixá-la escolher outra vez a mesma história do que oferecer uma nova todas as noites.
Ouvir vem muito antes de falar
Quase todas as crianças passam por um período silencioso. Percebem cada vez mais e não dizem nada. Pode durar semanas e é perfeitamente normal.
O pior que se pode fazer nesse período é pedir à criança que repita uma palavra à frente de outras pessoas. A pressão apaga a vontade mais depressa do que qualquer método constrói vocabulário.
Quanto tempo por dia
Dez a quinze minutos todos os dias valem mais do que uma hora ao sábado. Uma língua mantém-se com frequência, não com duração.
Saltar um dia não custa nada. Saltar um mês é começar quase do zero.
Quando a criança não conhece a escrita
O chinês, o japonês, o coreano e o ucraniano usam escritas que um principiante não consegue seguir. Uma transcrição em alfabeto latino por baixo da palavra resolve isso, porque a criança vê como a palavra soa no momento em que a ouve.
Sem ela, a criança ouve mas não consegue ligar o som ao que vê na página.
Kiara é uma app de livros ilustrados em 14 línguas, com narração em áudio e palavras ao toque. A primeira história é gratuita.